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Você sabia que Napoleão Bonaparte degolava as garrafas de champagne com um único
golpe de seu sabre? Viaje na História e enriqueça seu conhecimento.
A rolha e garrafa
Até o início do século XVIII, os bebedores de vinho não dispunham do conforto de
tê-lo acondicionado, porque nessa época não se conhecia nem a rolha, nem a
garrafa. Ele era retirado dos tonéis logo após a fermentação e colocado em
odres, ou ânforas, as quais eram vedadas precariamente com tampões de linho, ou
estopas, embebidos em linhaça, e ali permanecia o menor tempo possível, isso é,
até ser colocado em pequenas jarras pelos serviçais e transportado enfim para a
taça dos convidados - que o bebiam, portanto, ainda jovem. A descoberta da rolha
de cortiça e da garrafa foram, por conseguinte, as maiores conquistas enológicas
de todos os tempos.
A rolha é retirada da casca do sobreiro, árvore encontrada basicamente em
Portugal, na Espanha e na Grécia, e só a partir de 1700 passou a ser amarrada
por barbantes às garrafas, pois foi nesse período que o monge beneditino Dom
Pérignon (o mesmo que "inventou" o champagne) constatou que para conservar o
vinho era preciso utilizar um material inerte, inodoro e resistente.
Já a garrafa de 750 ml, que por coincidência passou a ser comercializada um
pouco depois, (a primeira exportação dessa novidade saiu do Porto do Havre para
a Inglaterra e a para a Índia em 1755) mantém até hoje a medida padrão, para
respeitar a legislação daquela época. Ou seja: como elas eram sopradas uma a
uma, a lei italiana estabeleceu, e todos a seguiram, que essa era a capacidade
máxima de sopro a que poderia chegar um bom artesão, sem danificar o pulmão.
A harmonização com queijos
O vinho é eminentemente uma bebida solidária. Digamos que ele foi feito para ser
bebido, no mínimo, a dois, e para fazer companhia ao alimento. Por isso, o
queijo é uma razão a mais para se prolongar o vinho - e o vinho uma razão a mais
para se renovar o queijo. Um e outro formam o par mais feliz da história da
gastronomia. Mas, à primeira vista, parece um casamento entre ímpares. Porque,
enquanto o vinho é bonito, seja dentro da garrafa, seja já na taça, o queijo em
geral é feíssimo. Um plateau de fromages parece uma paisagem lunar - com
buracos, protuberâncias, planícies e pedras soltas. Juntos, no entanto, produzem
um casal tipo Fred Astaire dançando com a Cid Charise.
A sintonia desse "dois em um" estabelece um ritmo que deve ser observado. Por
exemplo: a) quanto mais forte o queijo, mais tânico deverá ser o vinho; b)
vinhos e queijos da mesma região namoram melhor; c) os queijos frescos, com o
nosso minas, a mozzarella ou os cream cheese vão bem com um bom rosé, um verde
português ou o adolescente Beaujolais; d) o Gouda (holandês), o Gruyère (suíço),
o Manchego (espanhol) ou parmesão (italiano) pedem um Shiraz ou um
Cabernet-Sauvignon; e) os populares Brie e Camembert (cujo "perfume" o
Brillat-Savarin comparava ao pé do bom Deus!) vão lindamente com os tintos
"inocentes", do jeito de um Côtes du Rhône, um Valpolicella, um Merlot
sul-americano ou, hoje em dia, um alentejano leve; f) já o champagne é multiuso
- abra um bom brut e acompanhe-o com um queijo cremoso passado em cima de uma
torrada-hóstia, ou o lambuze um pão preto light do brasileiríssimo requeijão e
depois nos conte... Última regra: não siga nenhuma dessas acima: vá
testando e estabeleça a sua. O velho Cervantes já dizia: não existe o caminho. É
o caminhante que faz o caminho - ao caminhar. Bon appétit!
A degola do gargalo (sabrage)
A arma branca longa - o sabre - conquistou a Europa num tempo em que os
cavaleiros ainda duelavam pela honra de sua dama. Ou pela própria. Mas, com
tempo, ela sofreu diversas modificações e, hoje, só é utilizada em escala ou na
esgrima moderna, que é um esporte, ou em eventos especiais, como o sabrage.
A história do sabrage remonta ao início do século XIX quando, segundo a tradição
francesa e, para comemorar suas vitórias, Napoleão realizava a degola das
garrafas de champagne com um único golpe de seu sabre. Nos dias atuais, para
repetir a façanha que Bonaparte imortalizou, o sommelier (ou amador) não tem
necessidade de se arriscar com armas brancas, porque o chamado
Sabre-Para-Abrir-Champanha, disponível no mercado, não possui fio de corte e seu
destino é unicamente "expulsar" a rolha e o início do gargalo de um espumante ou
de um champagne. Feito artesanalmente em aço inox temperado, polido e adamascado
com desenhos alusivos, o Sabre-Para-Abrir- Champanha possui a mesma qualidade
das espadas das Forças Armadas e, com seu punho forte de metal polido e
bronzeado, tem o poder de transformar esse ritual num espetáculo. Santé!
Transcrito de um fórum de enófilos
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