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O vinho e a saúde
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Todas as virtudes terapêuticas do vinho para
os homens beneficiam também as mulheres. Mas
o vinho reserva alguns favores exclusivos para as mulheres.
É deles que vou me ocupar aqui. As ações
benévolas do vinho para a saúde só
ocorrem se ele for bebido com moderação,
regularmente, junto com as refeições e
por quem não tenha contra-indicação
ao uso de bebidas alcoólicas.
Os efeitos benéficos do vinho se devem um pouco
ao baixo teor de álcool e muito aos Polifenóis
e sua convivência harmônica com outros compostos.
60% dos Polifenóis vêm da semente da uva,
33% da casca, o resto da polpa, pedicelo e madeira.
É por isso que, como regra, os vinhos tintos
têm mais virtudes para a saúde que os vinhos
brancos. O adenocarcinoma de mama é o câncer
que mais mata as mulheres. Ele tem uma relação
direta com a ingesta de bebidas alcoólicas, isto
é, quanto mais álcool uma mulher ingere
maior a probabilidade dela ter esta doença. Isto
está bem documentado em uma metanálise
de 53 estudos epidemiológicos, incluindo 584.515
mulheres com câncer de mama.
Este trabalho foi feito com a colaboração
de vários pesquisadores e publicada no British
Journal of Cancer, em 2002. Inúmeros estudos
(mais de 10 nos últimos dois anos) mostram que
quando a bebida ingerida é o vinho, há
uma proteção ao desenvolvimento deste
tipo de câncer. Várias outras pesquisas
mostram os mecanismos pelo qual se dá esta proteção:
a ação protetora do Resveratrol sobre
os receptores estrogênicos da mama; a inibição
da alteração do DNA que gera as células
cancerosas, bloqueio do crescimento e disseminação
destas células e também porque alguns
Polifenóis (como a Quercitina) aumentam a apoptose
- morte programada - da célula cancerosa. As
mulheres que bebem vinho regularmente, moderadamente
e junto às refeições têm
50% menos chance de desenvolverem câncer de ovário.
Isso foi o que constatou a Drª Penny Webbi da Austrália,
estudando 696 mulheres com este tipo de neoplasia e
mais 786 outras mulheres, sem a doença, num grupo
controle. As mulheres que bebiam regularmente destilados
e cerveja tinham tanto câncer de ovários
quanto as abstêmias e as que bebiam vinho tinto
tinham uma proteção um pouco maior do
que as que tomavam vinho branco. As mulheres que têm
o hábito regular de beber vinho moderadamente
com as refeições têm atenuadas as
manifestações de climatério e menopausa,
foi o que constatou o Dr. Calabrese da Itália.
O climatério e a menopausa ocorrem quando o ovário
- glândula sexual feminina - entra em falência
e diminui muito a produção de estrógeno
- o hormônio feminino. O Resveratrol - um dos
200 Polifenóis do vinho - tem uma similaridade
estrutural e funcional muito grande com o Estrogênio.
Por essa semelhança ele é reconhecido
como um fito-estrógeno e age atenuando as manifestações
do climatério e menopausa que afligem tantas
mulheres no final da vida reprodutiva. As mulheres que
têm o hábito regular de tomar bebidas alcoólicas
custam mais para engravidar.
O Dr. Tolstrup e outros pesquisadores demonstraram uma
relação direta entre o consumo de bebidas
alcoólicas e infertilidade feminina. Mas a equipe
do Dr Juhl, estudando 29.844 grávidas na Dinamarca,
constatou esta relação apenas para as
mulheres que consumiam cerveja e destilados e uma relação
inversa para as mulheres que tomavam vinho. Outros estudos
mostraram a mesma coisa: mulheres com h> ábito
regular de beber vinho moderadamente com as refeições
engravidam mais fácil que as abstêmias
e bem mais rápido que as que tomam outros tipos
de bebidas alcoólicas. A osteoporose é
uma condição clínica na qual o
osso descalcifica e perde massa - fica poroso. Ela faz
parte do processo natural do envelhecimento.
Conforme avançamos em idade o nosso esqueleto
vai descalcificando e os nossos ossos ficando mais frágeis.
A osteoporose ocorre, sobretudo, nas mulheres quando
entram na menopausa. A menopausa e a perda de massa
óssea ocorrem pela deficiência de estrogênio.
Existe um estudo muito bonito feito na França,
com 7.598 mulheres com mais de 75 anos de idade que
mostrou que as que tinham o hábito regular de
tomar até três taças de vinho por
dia, junto com as refeições, ganhavam
massa óssea, contrariando a História Natural
do envelhecimento.
Isso acontece porque alguns Polifenóis que existem
em abundância no vinho estimulam os osteoblastos
- células que formam osso - e inibem o osteoclastos
- células que destroem o osso. E também
porque o Resveratrol tem uma semelhança estrutural
e funcional com o estrogênio - o hormônio
feminino que, entre outras coisas, preserva a arquitetura
óssea. Outra dádiva do vinho para as mulheres
é sobre a pele - o órgão que mais
expõem as crueldades do envelhecimento. Os Polifenóis
do vinho melhoram muito a consistência e a elasticidade
da pele, isso porque eles inibem a colagenase e a elastase,
duas enzimas que destroem o colágeno e a elastina,
responsáveis pela consistência e elasticidade
deste órgão do revestimento.
Além disso, eles melhoram muito a hidratação
e a microcirculação da pele, dando-lhe
mais vida. Estes efeitos dos Polifenóis ocorrem
tanto se eles forem aplicados direto sobre a pele quanto
se ingeridos. E quando aplicados direto na pele e ingeridos,
as ações se potencializam. Esse efeito
sobre a pele é tão impressionante que
hoje existem inúmeros tratamentos de beleza e
cosméticos feitos a base de óleo de semente
de uva e vinho. O governo americano tem uma vigilância
muito rígida sobre a saúde do seu povo
através dos CDC (Centers for Disease Control).
A Drª Ann Malarcher, uma pesquisadora deste órgão,
veio a público em 2001 para chamar a atenção
para o fato de mulheres jovens (entre 15 e 44 anos de
idade) que tomam até duas doses de bebidas alcoólicas
por dia têm 60% menos Derrame Cerebral do que
as abstêmias. E quando esta bebida alcoólica
é o vinho a probabilidade de desenvolver essa
doença é menor ainda. Esses dados epidemiológicos
são tão relevantes que hoje a própria
Associação Americana do Derrame Cerebral
(NSA - National Stroke Association) reconhece que as
mulheres que tomam vinho regularmente e moderadamente
com as refeições têm menos Derrame
Cerebral e que as mulheres que já tiveram esse
mal e passam beber vinho regularmente e moderadamente
têm menos chance de ter um novo episódio
da doença. A ingestão regular e moderada
de vinho diminui a circunferência abdominal tanto
em homens como em mulheres, foi a conclusão da
pesquisa desenvolvida ao longo de 10 anos pelo Dr Vadstrup
e colegas.
Estes dados surpreendentes foram extraídos do
" Estudo do Coração da Cidade de
Copenhagem " . A população desta
cidade está sendo observada há vários
anos neste grande projeto de pesquisa. A medida da circunferência
abdominal, como a medida da Pressão Arterial
e do Colesterol sanguíneo, são um determinante
de risco para ataques cardíacos e por isso objeto
da observação. Quando os pesquisadores
foram analisar o perímetro do abdome no grupo
de pacientes que tinha o hábito regular de tomar
diferentes tipos de bebidas alcoólicas encontraram
este instigante dado: os que bebiam vinho diminuíam
a circunferência abdominal, ao contrário
dos que tomavam cerveja e destilados. Outros estudos,
como feito pelo Dr. Yoshikawa mostraram que alguns dos
polifenóis, que existem em quantidade apreciável
no vinho, destroem gorduras por inibição
de enzimas metabolizadoras de gordura como a lipase
pancreática, a lipase lipoprotéica e a
glicerofosfatodesidrogenase. É por isso tudo
que eu penso que o vinho é um alimento que foi
concebido pelos deuses para enaltecer a saúde,
a beleza e o espírito da mulher.
Autor: Dr. Jairo Monson de Souza Filho
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