Qual o verdadeiro paladar da Pinot Noir? Será
a elegância e persistência de Champagne,
a framboesa e ervas finas dos vinhos do Oregon ou a
complexidade dos “terroirs” da Bourgogne? Versátil,
a Pinot Noir transita por diferentes estilos, variando
muito conforme o local de cultivo. É um varietal
frágil e de grande dificuldade de adaptação,
pois além de instável, é muito
sensível a doenças. Sua principal região
produtora é a Bourgogne/ França, onde
a mesma uva possibilita vinhos de vários estilos,
desde os simples e jovens AOC Bourgogne às raríssimas
e longevas safras excepcionais do mítico Romanée
Conti (que custam fortunas e duram mais de trinta anos).
Destaca-se também na Champagne, onde é
vinificada em separado da casca e resulta em vinho branco,
conferindo estrutura e complexidade aos futuros espumantes
(muitas empresas brasileiras a utilizam para o mesmo
fim). Em outras regiões do mundo, tais como Oregon/
Estados Unidos, a ilha sul da Nova Zelândia e
recentemente na Patagônia/ Argentina, a Pinot
Noir vêm desenvolvendo novas potencialidades e
surpresas. Nestes locais surgem vinhos delicados, de
belíssima cor rubi, frutados e jovens, evoluindo
muito quando decantados. Na França, sua harmonização
clássica é com “Confit de Canard”, sendo
também ótima opção para
pratos com peixe, tradicionais da Semana Santa. Como
falado no filme Sideways “É uma uva difícil
de desenvolver. Não é uma sobrevivente
como a Cabernet (...) A Pinot necessita cuidado constante
e atenção” – pedindo muita sensibilidade
a seus apreciadores.
Maria Amélia