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Pinhões e Vinho do Porto |
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Este delicioso texto é de autoria do Dr. Tufi Neder Meyer, Cirugião Plástico e enófilo,residente na cidade de Três Corações-MG, onde fundou e preside a SOCAVI – Sociedade Campanhense de Amigos do Vinho.
Isso me ocorre ao menos uma vez ao ano, sempre no inverno, estação propícia. Digo: é época de pinhões, item comestível que, se não se enquadra na categoria das finíssimas iguarias, qual fosse "foie-gras" ou caviar beluga, pelo menos pode ser descrito como algo bastante agradável e típico.
Pois então, todos os anos o ritual se repete: escolho os pinhões na compra, precaução das mais recomendadas, visto que, se os colocamos de montão no saco de aquisições, muitos vêm furados, vale dizer, depois de cozidos serão mirrados, chochos e de gosto muito ofensivo. Minuciosa seleção feita, são pagos a módico preço, não sendo coisa cara, e levados à panela, melhor se for de pressão, tal autoclavagem reduz o tempo de cozimento, mesmo assim nada pequeno.
Não os deixem esfriar antes de passar à sua apreciação. Pinhões frios são como pipoca idem, isto é, perdem muito de seu encanto. Enquanto quentes, fica fácil trincar os incisivos sobre o traseiro. Dos pinhões, é claro, estes não vão reagir a tal agressão, senão deixando-se espremer entre os maxilares, o que produzirá o efeito desejado: o que almejamos comer (vejam as analogias sensuais, sempre presentes na gastronomia...) vai sair de dentro da casca. Se gostam, é só mastigar assim mesmo. Se querem melhoras, um pouquinho de paciência e sal, este rei dos temperos, obrarão a transformação. E eis então que poderão ser devidamente apreciados. Como a mencionada pipoca, pinhões são difíceis no que tange a parar de comê-los. É quantos há, quantos descerão goela abaixo.
Ah, mas o melhor ainda vem: estas sementes de pinheiros casam-se maravilhosamente bem com vinho do Porto. Eis que acabo de sair de uma larga sessão de pinhões quentinhos com um excelente Porto Messias 10 Anos (Casa Flora). O salgadinho e a consistência macia da massa dos pinhões fizeram perfeitas núpcias com o doce, o calor e o aroma capitoso do Messias. Não há frio que resista.
Coisas tais como essa, prazeres a um tempo simples e refinados como esse, nos fazem sorrir à larga, e nos compensam das tantas más e péssimas notícias que, todos os dias, nos amargam a existência. Essa, a vida, vai mais leve, sem duvidar, quando o insubstituível Porto se faz acompanhar de tão brasileiros pinhões.
Experimentem!
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