Não meus amigos, não vou falar do nosso Brasil. Vou falar de outro gigante que perdeu o seu lugar no mundo dos vinhos e que parece ter acordado de seu sono de décadas e querer voltar a brilhar. Vou falar sobre o Vinho Madeira.
Na onda da EXPOVINIS a Importadora Porto a Porto e a Importadora Casa Flora trouxeram nesta semana a BH o Coronel Costa Campos sócio gerente da Justino's a maior exportadora de vinhos da ilha da Madeira.
Hoje, muitos enófilos pouco sabem sobre o vinho Madeira e grande parte sequer chegou a tomar este monstro sagrado.
O Madeira tem mais de 400 anos de tradição e durante muito tempo teve um reconhecimento muito maior que o Vinho do Porto no mundo enológico. Seu volume de exportação era muitas vezes maior que o do Vinho do Porto. Foi um vinho de reconhecimento tão marcante que a independência dos EUA foi brindada com um Madeira.
Acontece que a glória do Madeira foi, ao mesmo tempo, a responsável pelo seu calvário. Os produtores cometeram diversos erros, entre eles o de exportar o vinho de qualidade inferior a granel para ser engarrafado nos países compradores ( onde às vezes era misturado sabe-se lá com que líquidos para aumentar a "produtividade" ). Alem disso cometeram o pecado maior de acreditar que o vinho se manteria no topo sem um esforço maior da parte deles. Algo como o nosso ditado popular de que "Quem é Rei sempre será Majestade". Bem, acredito até que a Majestade do vinho não tenha jamais sido posta em questão, mas o seu reinado...........
Enquanto o Madeira via seu reconhecimento ir aos poucos desaparecendo, outros vinhos fortificados trabalhavam duro para se remodelar, inovar, ganhar espaço, divulgar seu nome, etc, etc. O resultado, todos nós que gostamos de vinho sabemos. Hoje raramente se fala no vinho Madeira; enófilos mais jovens nunca tomaram dele e muitos sequer sabem que tipo de vinho estamos falando.
Pois bem, depois de muito perder e depois de muita luta por parte de uns poucos, parece que temos uma batalha para recolocar o Madeira em seu devido lugar.
Para se ter uma idéia de como é fácil errar e como nem sempre é tão fácil corrigir esses erros, somente em 2001 foi definitivamente proibida a exportação do Madeira a granel.
Mas, voltando à visita do Coronel Costa Campos, tivemos a grande oportunidade de participar de um almoço harmonizado, no qual cinco vinhos diferentes foram degustados e exaustivamente analisados por um feliz e privilegiado grupo de amantes do vinho de BH. Privilegiados não apenas pela degustação de cinco jóias raras, mas, sobretudo, privilegiados pelas 3 horas de uma conversa das mais instrutivas sobre a história, processos de vinificação e harmonizações deste vinho fantástico. E, de minha parte, digo que a palavra feliz aplica-se não apenas à degustação, mas, principalmente, por saber que um grande esforço vem sendo feito em prol da valoração do Madeira.
Apesar de já estar a alguns anos no mundo do vinho, somente na edição do ano passado da Expovinis eu tive oportunidade de participar de uma degustação destes vinhos. Foi um caso de paixão ao primeiro gole; e maior ainda ao segundo; e ao terceiro..........
A complexidade de aromas, a textura e elegância na boca, o retro gosto especial eram itens que variavam de intensidade e de qualidade dependendo de cada tipo de Madeira que eu bebia; eram sensações e emoções que me seduziram e me encantaram. Como, nem sempre é fácil encontrar um bom Madeira no nosso país ( e a Casa Flora e Porto a Porto são uma honrosa exceção a esta regra), poucos contatos tive com o Madeira neste período de um ano. Desta vez ao experimentar cinco diferentes, entre eles um Colheita 1995, pude, mais uma vez, sentir as mesmas emoções e os mesmos prazeres que havia experimentado no ano passado. Encantamento revivido e renovado!!!
Se você meu amigo que me lê, é um apreciador do Madeira, sabe exatamente do que estou falando. Se, por acaso, você não o conhece e vai estar na Expovinis 2007, não perca a oportunidade não apenas de conhecer esta jóia no estande das importadoras, mas também de conversar com este português de alma brasileira ( morou dois anos em Copacabana e passa todas as férias de janeiro no Rio) que ama falar sobre seu vinho.
Se você não conhece o Madeira e infelizmente não vai à Expovinis, por favor, cuide para que o mais breve possível você possa se dar ao prazer desta experiência rara.
Quem sabe, com você acontecerá algo semelhante ao que aconteceu ao Coronel Costa Campos que adquiriu a Justino's há vinte anos, para vendê-la pouco depois, e que não conseguiu fazê-lo por se enamorar dos vinhos que produz.
Christovão Oliveira Junior é fundador da Confraria Belo Vinho de Minas Gerais