Fique por dentro dos cursos, eventos e novidades gerais das vinícolas e entidades gaúchas.



Confira aqui a agenda de
eventos da SBAV.




Confira aqui informações sobre as últimas reuniões temáticas realizadas pelos nossos diferentes grupos de degustação.



Leia artigos, narrativas e matérias escritas por nossos associados e outros julgados interessantes.



Confira alguns sites recomendados pela SBAV.
São vinícolas, produtores, importadores e entidades
ligadas ao vinho.




Aqui você pode acessar de maneira mais rápida e fácil os acervos de nossa biblioteca.
 


 

 

SBAV/RS

Rua Liberdade, 120
Porto Alegre - RS
CEP 90420-090 contato@sbav.com.br

 
 
  Voltar
 
     
     
  Sobre Enochatos  
     
 

Com a multiplicação de eventos enogastronômicos, informações sobre enofilia,
rótulos de vinho nas lojas, cresce também o número de enochatos. Relutei para
tocar neste assunto. Aliás, sempre que deparo com um deles, penso se eu mesma já
não seria uma enochata. Nessas horas, recorro ao mantra que adotei logo nas
primeiras taças e repito à exaustão sempre que necessário: "De vinhos, não
existem conhecedores, só aprendizes".

***

Adoto também algumas regras de convivência que, espero, estejam sendo
suficientes para que meus interlocutores não salivem por uma cerveja gelada
diante de minhas modestas manifestações sobre vinho. Uma delas é jamais citar
Robert Parker em conversas descontraídas. Os vinhos que ele toma e pontua em sua
respeitada publicação, a The Wine Advocate, são muito diferentes dos que eu
posso ter em minha pequena adega de alta rotatividade. Aliás, eu tomo muitas
marcas brasileiras, e duvido que mister Parker localize nosso País no mapa do
vinho.

***

Gente, eu não sei qual é o cheiro de um cassis pisado, nunca estive diante de
uma raposa molhada (o animal mais próximo que vi nessas condições é cachorro na
chuva, mas posso garantir que nunca provei um vinho com aroma sequer parecido) e
tampouco posso diferenciar odores de petróleo e asfalto. Daí, eu fico muda
quando algum enochato aponta tais notas em vinhos em que só consigo perceber
frutas vermelhas, ervas frescas ou cítricos.

***

Em restaurante, os amigos, por generosidade e em respeito à minha conhecida
curiosidade sobre o assunto, sempre me dão a honra de experimentar o vinho antes
de autorizar o serviço ao garçom. Embora o ritual seja amplamente difundido,
faço-o com algum constrangimento e muita discrição, mesmo porque, na maioria das
vezes, os vinhos em questão não exigem muita cerimônia, por serem bastante
simples. Basta observar se a temperatura está adequada e se o vinho não está
estragado (bouchonné, diriam eles), o que consigo discriminar com razoável
segurança. Além do mais, trata-se de uma refeição, não de um concurso de vinhos,
portanto não há necessidade de se fazer bochechos com a bebida na boca.

***

Amigos, não guardo de memória as grandes safras européias, americanas, chilenas,
argentinas... Se precisar desse tipo de informação, tenho que pesquisar, o que
faço com prazer. Eu não tenho grandes vinhos safrados em casa. Os que
experimentei foram em ocasiões especiais, como degustações orientadas e visitas
a vinícolas. Aliás, eu sou contra adquirir garrafas que possam desequilibrar o
orçamento.

Por isso, tento melhorar meus critérios e parâmetros de compra. Em resumo, pouco
falo de vinhos míticos.

***

Adoro champanhes, mas se tiver que dar uma festa em casa, meus convidados vão
compartilhar bons espumantes, pois são alegres e baratos. É festa, oras bolas,
momento de descontração, de conversa mole... nada de ficar procurando fermento
de padaria no copo. Além do mais, para estudar vinho existem locais e ocasiões
mais apropriados. Aí, sim, seriedade, atenção e troca de informações são
bem-vindas. Desde que o vinho não deixe de ser prazer. Saúde!

 

Suzamara Santos
-
Publicado na Revista Metrópole, do Jornal Correio Popular, de Campinas.

 
     
     
 
  Voltar
 

 

  2004 | Morphe