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  Vinho – o elixir da longa vida?  
     
 


"Moderadamente bebido, o vinho é medicamento que rejuvenesce os velhos..."
Platão [427 a. C. - 347 a. C.]



Quem bebe vinho regularmente, com moderação e junto com as refeições, morre depois. Isso é o que mostram inúmeros estudos epidemiológicos. Estudos recentes e mesmo os feitos há muito tempo atrás como o do Dr. Dougnac em 1933, mostram que as pessoas que têm o hábito regular de beber vinho junto às refeições têm uma expectativa de vida de 25 a 45% maior. Se formos analisar os locais no mundo onde as pessoas são mais longevas, constataremos que a maioria são regiões vitivinícolas.

O envelhecimento da célula, dos tecidos, do organismo como um todo é uma ação dos Radicais Livres. Estes são espécimes químicas muito reativas, instáveis, por terem um único elétron na sua última camada. Eles estão relacionados a um número grande de condições clínicas, como aterosclerose, câncer e catarata. A principal fonte destes elementos para o organismo é o cigarro. Em cada tragada vão 1017 Radicais Livres para dentro do organismo. Os raios ultravioletas (do sol) são outra importante fonte. Também outras radiações como os Raios X e as provenientes de tratamentos radioterápicos.

O próprio organismo também gera Radicais Livres em situações como nas inflamações, isquemia e estresse físico ou mental. Quem combate os Radicais Livres são os anti-oxidantes. O nosso organismo, que é muito sábio, produz algumas enzimas (como superoxidismutase, catalase e a glutation peroxidase) para se proteger desses vilões. Só que essa produção diminui com o passar dos anos. Isso é trágico porque nos diz que quanto mais velhos ficamos, mais expostos estamos aos processos biológicos do envelhecimento.

Os vinhos, sobretudo os tintos, são ricos em Polifenóis, que são potentes anti-oxidantes, ou seja, “varredores” de Radicais Livres. São eles os principais responsáveis pela ação anti-idade dos vinhos. Por isso é fácil entender porque as pessoas de mais de 60 anos que têm o hábito regular de beber uma a duas taças de vinho com as refeições envelhecem com melhor qualidade de vida. Vários estudos feitos em diferentes partes do mundo mostram que estas pessoas são mais atentas e comunicativas, menos agitadas e incontinentes e têm um QI mais elevado.

Pesquisas desenvolvidas pelo National Institute for Longevity, do Japão, mostraram que as pessoas que bebem vinho moderadamente têm um Q.I. mais elevado do que as que bebem outras bebidas alcoólicas ou que não bebem. Isso mesmo corrigindo fatores sócio-econômicos-culturais. O mesmo estudo mostrou também que quem bebe mais que 540 ml de vinho por dia tem um Q.I. menor dos que os abstêmios. Como se vê, beber vinho moderadamente é um ato de inteligência que preserva a inteligência.
O Professor Jean-Marc Orgogozo, da Universidade de Bordeaux, França, em 1997 apresentou um estudo que mostra que as pessoas que bebem de 250 a 500 ml de vinho por dia, nas refeições, têm 75% menos chance de desenvolver a Doença de Alzheimer.
O Resveratrol é um dos cerca de 200 Polifenóis encontrados no vinho e tem uma potente ação anti-oxidante. Cientistas da Universidade de Milão, Itália, descobriram que ele ativa a enzima mapquinase, que regenera os neurônios – as células cerebrais. Esta é possivelmente a chave do efeito neuroprotetor oferecido pelo vinho bebido moderadamente.

Esse Polifenol que existe em quantidade apreciável nos vinhos tintos, está sendo estudado pelo Dr. David A. Sinclair e equipe da Universidade de Harvard e do Laboratório Biomol. Ele conseguiu aumentar em 70% a duração da vida de seres unicelulares chamados Saccharomyces cerevisiae tratando-os com Resveratrol. Também uma espécie de moscas que duram cerca de 30 dias, quando recebiam o Resveratrol passaram a viver em média 40 dias. A dose estudada nesses animais corresponde para o Homem ao conteúdo de Resveratrol existente em aproximadamente 3 taças de vinho.

O Dr. Sinclair neste trabalho publicado na Revista Nature, atribui esse efeito ao fato do Resveratrol aumentar a enzima Sir2, que estabiliza o DNA e com isso aumenta a vida da célula, diminui o declínio funcional na senilidade, deixando as pessoas mais saudáveis. Ele também reconhece que existem no vinho, pelo menos, outras 17 substâncias com uma possível ação anti-envelhecedora e que necessitam também ser estudadas.

É muito importante ter em conta que nós não somos animais unicelulares e nem moscas. Que estes achados não podem ser transferidos de imediato para os humanos. O grande valor de estudos como este é que eles começam a nos explicar como acontece o que os estudos epidemiológicos há anos vêm mostrando e também porque desencadeiam uma série de outras pesquisas que culminarão com resultados aplicados a nossa espécie.
É... Talvez o francês Leon Douarche tivesse razão quando afirmou: “Vinho é o melhor elixir que já se inventou para assegurar uma vida longa.”
Saúde!!!

Jairo Monson de Souza Filho
jairo@monson.med.br


 
     
     
 
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  2004 | Morphe