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  O primeiro BRUT do mundo  
  fonte: Vinho Magazine Ed. 71 de fevereiro de 2007  
     
 

Quando se fala de vinho não é possível deixar de lado a história, uma
história que conta a evolução de um povo e de sua cultura,
especialmente em se tratando do Mediterrâneo, berço de inúmeras
civilizações e religiões. Pois é lá que nasce uma bebida mítica: o Brut.

Em Limoux, Aude, sul da França, as vinhas foram plantadas primeiro
pelos etruscos e gregos e posteriormente pelos romanos. São os
veteranos legionários romanos que para ocupar a região recebem terras
nas quais irão ampliar os vinhedos existentes plantando às margens dos
rios. Os não Romanos não possuíam o direito de plantar nem a vinha nem
as olivas. O vinho de Limoux vai ser exportado para Roma e ganhar fama
como atesta Tito Lívio (59 AC.- 17D.C) em sua "História Romana". As
invasões visigodas e posteriormente francas vão devastar os vinhedos,
nos ensina o enólogo Laurent Mingaud, diretor comercial da Cooperativa
Sieur d'Arques-Aimery.

Será na Idade Média que monastérios e abadias serão fundados no Midi e
que irão relançar a plantação das uvas viníferas. Os beneditinos
fundarão nas proximidades de Limoux a abadia de Saint Hilaire.
Mingaud conta que a galeria oeste da abadia abrigava as adegas onde os
monges vinificavam e estocavam seus vinhos.

Foi aparentemente por acaso que os beneditinos produziram o primeiro
brut. Um monge descobriu que o vinho branco que ele havia
cuidadosamente fechado formava bolhas como se uma segunda fermentação
se iniciasse.
Foi com um pouco de sorte que a Blanquette de Limoux, o primeiro brut
do mundo, nasceu em 1531. Documentos históricos de 1544 atestam que o
Sieur d'Arques (Senhor dos Arcos), um poderoso senhor feudal do Razès,
comemorava suas vitórias militares com a Blanquette.

Limoux vê nascer a Blanquette Ancestral, bebida pouco alcoolizada e
suave, que tem uma segunda meia-fermentação na garrafa. Feita de uvas
mauzac, chamada na região de blanquette, isto é, branquinha devido a
sua cor clara.

Será somente duzentos anos depois que Dom Pérignon (1639-1715), também
um monge beneditino, responsável pela cave da abadia de Hautvilliers,
próxima a Epernay, irá desenvolver o método champenoise, hoje chamado
também de tradicional. Seria apenas coincidência o fato de ambos serem
da mesma ordem religiosa?, pergunta Mingaud. Dom Perignon, grande
estudioso da enologia, irá buscar em Limoux o conhecimento necessário
para desenvolver a Champagne, que terá uma segunda fermentação completa.

O que faltou então para que a Blanquette ficasse famosa como sua
co-irmã, a Champagne?

Com certeza a ausência de um autor, de um pai da descoberta,
dificultou a comunicação.
Outro fato importante é que em Saint Hilaire não houve um Dom
Grossard, último sucessor da abadia de Hautvilliers, antes da
revolução francesa, que deu frutos à sua imaginação criando os mitos
champagne e D.Pérignon a difundindo a por toda a Europa.
A distância da corte com certeza também foi uma componente geográfica
determinante na época.

Hoje a Blanquette e o Crémant de Limoux, os dois brut da região, têm
um longo caminho a percorrer para igualar a fama da Champagne, porém,
a distância vem se encurtando tanto na qualidade quanto na comunicação
e nas vendas.
A segunda apelação de brut mais vendida nos Estados Unidos é o AOC
Limoux, atrás apenas de Champagne. Claro.

 
     
     
 
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  2004 | Morphe