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  Os Grandes de Bordeax: valem realmente seus preços?  
     
 

Tenho em mãos o relatório detalhado da sessão do GJE (Grand Jury Europeén) realizada em Chamonix no período de 31 de maio a 3 de junho de 2005, e cujo tema foi: Grandes Vinhos de Bordeaux da safra 2001. Um dos objetivos desta degustação seria a de proporcionar aos apreciadores de vinhos oportunidade de conhecer aqueles que apresentam boa relação qualidade-preço.

Neste evento, foram degustados e pontuados às cegas 159 vinhos selecionados entre os supostamente melhores de Bordeaux, por um júri constituído por 19 especialistas renomados de 8 diferentes paises. Os resultados constantes no relatório, englobam alem da pontuação , um índice de coerência, calculado com base na concordância maior ou menor entre as notas atribuídas pelos distintos degustadores. Também são mostrados os preços médios em Euros praticados no comércio.

Para fins de apresentação dos resultados, os vinhos foram separados em dois grupos quanto à localização geográfica em relação à Gironde: os da margem esquerda e os da margem direita. Os vinhos que obtiveram pontuação abaixo de 80 pontos sobre 100, em ambos os casos foram desconsiderados. Os resultados mostram que nem sempre os grandes mitos correspondem à sua fama e que frequentemente vinhos relativamente baratos de produtores menos conhecidos podem superar as grandes estrelas.

Para dar uma idéia de quanto são surpreendentes esses resultados, exemplifico com uma amostra com dados referentes a alguns dos 70 vinhos da Rive Gauche; são mostrados os cinco melhor pontuados seguidos de alguns outros escolhidos por se tratarem de nomes muito famosos e de alto preço ou, pelo contrário, de vinhos modestos e bem classificados.
Para cada vinho consta a classificação, o DOC, a pontuação e o preço praticado no varejo.

 

La Tour Carnet Haut-médoc 92,27 E 17
Pape Clemént Péssac-leognan 92,26 E 98
Lascombes Margaux 91,47 E 39
Haut-condissas Médoc 91,14 E 36
Lafite-Rotschild Pauillac 90,67 E 154
Latour Martillac Péssac-léognan 89,27 E 21
Margaux Margaux 89,19 E 194
16º Fouréaud Listrac 87,71 E 11
44º Latour Pauillac 85,13 E 190
61º Haut-Brion Péssac-leognan 82,97 E 153

 


Quanto aos vinhos da margem direita, os resultados não foram diferentes. Citando dois deles como exemplo:

- O famoso Cheval Blanc de St. Emilion (lembram o filme Sideways ?) custando 187 Euros, ficou em 21º. na classificação, com 89,38 pontos.
- Ainda mais surpreendente, o badaladíssimo Petrus de Pomerol, 720 Euros, não passou de um modestíssimo 67º. lugar sobre 70, com 83,50 pontos! O comentário sobre o Petrus no relatório do GJE o descreve da seguinte forma: “ Enquanto o 2000 ocupou lugares de honra esse 2001 se apresenta fechado, sem qualquer característica que se destaque; um eletroencefalograma linear segundo todos os degustadores”.

Resultados válidos ? Poderiam ter sido influenciados pelo fato de os vinhos serem ainda muito novos ?

E por outro lado: Seria admissível que 15 ou 20 especialistas na mesma ocasião,viessem a cometer os mesmos erros de avaliação sobre os mesmos vinhos?

Vale aqui lembrar o comentário sobre o evento feito por François Mauss, presidente e fundador do Grand Jury Europeén, que consta do relatório:

“ A degustação às cegas por um colegiado de alto nível, como este, representando oito países e com sensibilidades diversas ao vinho ( um sommelier francês não irá avaliar da mesma forma como um produtor de Portugal) inquestionavelmente será mais representativa do que qualquer avaliação individual, com etiqueta aparente ou não...”

Aquele tipo de pessoas que se dispõem a pagar altíssimos preços por um rótulo famoso deveria pensar duas vezes pois o elevado valor pago nem sempre assegura a certeza de estar adquirindo um produto à altura.

Paulo Mazeron
Vice-presidente da SBAV/RS



 
     
     
 
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  2004 | Morphe