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  Vinho alimento  
  Adolfo Lona  
     
 

A recente aprovação de uma lei estadual que classifica o vinho como alimento provocou reação enérgica por parte de médicos e entidades do Rio Grande do Sul, maior produtor e maior consumidor.
As discussões acaloradas deixaram em nós, produtores de vinho, um gosto amargo, a sensação de que neste episódio nos reservaram o papel de bandidos.
Quais são as razões pelas quais um tema tratado naturalmente na Europa onde o vinho é considerado um alimento e protegido como tal, aqui desperta reações tão ferozes?
Será que lá ninguém pensa nas crianças e juventude, nos riscos que o consumo de vinho oferece para eles? Será que na Europa e em alguns países do Cone Sul como Argentina e Uruguai, onde o consumo por pessoa/ano supera 40 litros, o vinho estimula o alcoolismo e a sociedade não percebe? Qual é a diferença?
A diferença é a postura que cada sociedade tem perante o vinho como conseqüência de um fenômeno cultural.

Nos países tradicionalmente vitivinícolas o vinho está inserido nos hábitos alimentícios, é um companheiro natural e imprescindível das refeições.
Nos países tradicionais o vinho se diferencia das outras bebidas devido à modalidade de consumo: sempre acompanhado de alimentos, durante as refeições, em ocasiões prazerosas.

Lá se atinge 40 litros por ano bebendo um copo diário de 150 ml (1/5 da garrafa) e não um garrafão a cada fim de semana.
Esta modalidade é responsável pelas maiores virtudes do vinho: o consumo moderado e o beneficio à saúde.
É prazeroso comer um prato de macarrão, não cinco, faz mal a saúde.
No Brasil onde o consumo é inferior a 2 litros/ano/habitante, muitíssimo inferior a outras bebidas, ironicamente alguns membros da sociedade consideram o vinho uma bebida alcoólica perigosa para crianças, jovens e adultos.
Tudo indica que não estamos preparados para discutir este tema com objetividade.
Esperemos que o projeto não seja vetado.

Adolfo Lona é enólogo e sócio honorário da SBAV

 

 
     
     
 
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  2004 | Morphe