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  Alguns Comentários de Adolfo Alberto Lona Sócio Honorário da SBAV/RS  
     
 

Novidades
As notícias relacionadas as safras de uvas das cidades de Pinheiro Machado (Serra do Sudeste) e Bagé (Campanha) trazem um sentimento de renovação para todos os que apreciam vinhos de qualidade. Nada melhor do que o surgimento de vinhos de regiões diferentes das habituais perfeitamente identificados, cada um com seu caráter, suas peculiaridades. Teremos a curto prazo Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e outras variedades produzidas e elaboradas em escala industrial.
Acredito que começa uma nova era: a dos vinhos produzidos em regiões específicas, bem diferentes entre si. Cada um procurará, através de suas diferenças, cativar o consumidor e nesta disputa sadía o setor vitivinícola e os consumidores serão os maiores beneficiados. O Brasil começa a sair da padronização.

A valorização do varietal
Os produtores de vinhos do Novo Mundo souberam valorizar até agora muito bem o conceito de vinho varietal.
Equivocadamente se interpreta o vinho varietal como “puro” e se compara ao conhecido com o nome da região como sendo “cortado”. Nada mais infantil e errado já que no varietal não existe a exigência de cem por cento de composição da uva declarada em nenhuma legislação do mundo. Tanto o varietal como o de região podem ser resultantes de misturas, numa sábia decisão, já que pequenas proporções de uma ou mais variedades permitem obter vinhos magníficos. Entender que a mistura é a forma de esconder deficiências, é prejulgar que todos os enólogos são incompetentes além de bandidos.
A declaração no rótulo do nome da variedade que prevalece na composição de um vinho, fez com que uvas como Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Carmenere, Merlot e outras ganhassem um destaque nunca antes alcançado em suas regiões de origem. Ao final, quem conhecia essas variedades antes? Pomerol, Saint Emilion, Saint Julien, Margaux são conhecidas como regiões produtoras que cedem seus nomes aos vinhos alí produzidos mas não sempre as pessoas sabem que as variedades utilizadas para elaborar seus produtos são Cabernet Sauvignon e/ou Merlot.
O nome da variedade nestes anos prevaleceu sobre a região de origem. Se procurou padronizar os vinhos numa corrida cega de agrado ao consumidor menos avisado. Isto justifica práticas enológicas que modificam as características naturais do vinho como o uso de maravalha ou chips como aromatizante, a concentração e outras. Conseguimos o vinho biônico.

A diferença agregará valor
A entrada no mercado de vinhos provenientes de outras regiões deverá trazer novidades. Deverá trazer alternativas, dentro dos mesmos varietais talvez, de corpo, caráter varietal, complexidade de aromas e gostos. Isto é o que se espera. Se for para continuar encubrindo com um “manto protetor” de carvalho as verdadeiras características dos vinhos, é melhor tudo ficar como está. Não se pode desaproveitar esta oportunidade de evolução, seja do mercado consumidor, como do setor produtivo. O desafío de procurar através da diferença de clima e solo o caráter varietal e a complexidade é uma responsabilidade da qual nenhum produtor de uvas ou de vinho, e principalmente enólogo deve fugir. A diferença entre os vinhos de cada região será o verdadeiro valor agregado, tanto maior quanto mais típico.

Primeiro o produto depois o nome
Identificar produtos típicos e diferenciais associados a condições particulares de clima e solo será o primeiro passo, agora definitivo, para a criação de Denominações. Será a inversão da tendência atual que cria a região antes de mostrar a identidade do produto. Adequar a legislação de vinhos a esta nova situação será um passo importante. Aumentar o número de regiões produtoras ou desmembrar as existentes e evitar a livre mistura de vinhos entre elas poderá ser também um passo para assegurar e preservar a identidade vinícola de todas.

Um futuro promissor
O vinho é a bebida que no Brasil, tem as perspectivas de futuro mais promissor. A razão? É a bebida mais associada a valores positivos como prazer, sofisticação, saúde, confraternização, família e intimidade. Mas este futuro deverá ser construído, ao final num país onde se bebe somente 2 litros por habitante/ano, tem tudo a fazer. Somente um processo lento e gradual de educação à cultura do vinho fará com que o Brasil tropical incorpore o produto a seus hábitos de consumo de bebidas.

 
     
     
 
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  2004 | Morphe