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Novidades
As notícias relacionadas as safras de uvas das cidades de
Pinheiro Machado (Serra do Sudeste) e Bagé (Campanha)
trazem um sentimento de renovação para todos os que
apreciam vinhos de qualidade. Nada melhor do que o
surgimento de vinhos de regiões diferentes das habituais
perfeitamente identificados, cada um com seu caráter, suas
peculiaridades. Teremos a curto prazo Cabernet Sauvignon,
Merlot, Cabernet Franc e outras variedades produzidas e
elaboradas em escala industrial.
Acredito que começa uma nova era: a dos vinhos produzidos
em regiões específicas, bem diferentes entre si. Cada um
procurará, através de suas diferenças, cativar o
consumidor e nesta disputa sadía o setor vitivinícola e os
consumidores serão os maiores beneficiados. O Brasil
começa a sair da padronização.
A valorização do varietal
Os produtores de vinhos do Novo Mundo souberam valorizar
até agora muito bem o conceito de vinho varietal.
Equivocadamente se interpreta o vinho varietal como “puro”
e se compara ao conhecido com o nome da região como sendo
“cortado”. Nada mais infantil e errado já que no varietal
não existe a exigência de cem por cento de composição da
uva declarada em nenhuma legislação do mundo. Tanto o
varietal como o de região podem ser resultantes de
misturas, numa sábia decisão, já que pequenas proporções
de uma ou mais variedades permitem obter vinhos
magníficos. Entender que a mistura é a forma de esconder
deficiências, é prejulgar que todos os enólogos são
incompetentes além de bandidos.
A declaração no rótulo do nome da variedade que prevalece
na composição de um vinho, fez com que uvas como Cabernet
Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Carmenere, Merlot e outras
ganhassem um destaque nunca antes alcançado em suas
regiões de origem. Ao final, quem conhecia essas
variedades antes? Pomerol, Saint Emilion, Saint Julien,
Margaux são conhecidas como regiões produtoras que cedem
seus nomes aos vinhos alí produzidos mas não sempre as
pessoas sabem que as variedades utilizadas para elaborar
seus produtos são Cabernet Sauvignon e/ou Merlot.
O nome da variedade nestes anos prevaleceu sobre a região
de origem. Se procurou padronizar os vinhos numa corrida
cega de agrado ao consumidor menos avisado. Isto justifica
práticas enológicas que modificam as características
naturais do vinho como o uso de maravalha ou chips como
aromatizante, a concentração e outras. Conseguimos o vinho
biônico.
A diferença agregará valor
A entrada no mercado de vinhos provenientes de outras
regiões deverá trazer novidades. Deverá trazer
alternativas, dentro dos mesmos varietais talvez, de
corpo, caráter varietal, complexidade de aromas e gostos.
Isto é o que se espera. Se for para continuar encubrindo
com um “manto protetor” de carvalho as verdadeiras
características dos vinhos, é melhor tudo ficar como está.
Não se pode desaproveitar esta oportunidade de evolução,
seja do mercado consumidor, como do setor produtivo. O
desafío de procurar através da diferença de clima e solo o
caráter varietal e a complexidade é uma responsabilidade
da qual nenhum produtor de uvas ou de vinho, e
principalmente enólogo deve fugir. A diferença entre os
vinhos de cada região será o verdadeiro valor agregado,
tanto maior quanto mais típico.
Primeiro o produto depois o nome
Identificar produtos típicos e diferenciais associados a
condições particulares de clima e solo será o primeiro
passo, agora definitivo, para a criação de Denominações.
Será a inversão da tendência atual que cria a região antes
de mostrar a identidade do produto. Adequar a legislação
de vinhos a esta nova situação será um passo importante.
Aumentar o número de regiões produtoras ou desmembrar as
existentes e evitar a livre mistura de vinhos entre elas
poderá ser também um passo para assegurar e preservar a
identidade vinícola de todas.
Um futuro promissor
O vinho é a bebida que no Brasil, tem as perspectivas de
futuro mais promissor. A razão? É a bebida mais associada
a valores positivos como prazer, sofisticação, saúde,
confraternização, família e intimidade. Mas este futuro
deverá ser construído, ao final num país onde se bebe
somente 2 litros por habitante/ano, tem tudo a fazer.
Somente um processo lento e gradual de educação à cultura
do vinho fará com que o Brasil tropical incorpore o
produto a seus hábitos de consumo de bebidas.
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