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  100 Rótulos que marcaram 2004  
     
 

Depois de um 2003 difícil para a economia brasileira, com reflexos em nossas taças, o ano de 2004 foi muito bom para o mercado de vinhos. Nos 10 primeiros meses do ano, o volume de garrafas estrangeiras a entrar no País aumentou em cerca de 190% em relação ao mesmo período do ano anterior. Foi enxurrada de novos rótulos, muitos deles de alta qualidade. Para avaliá-los, ao longo de 2004, degustei perto de 3.000 exemplares e visitei cerca de 50 vinícolas e feiras em vários países. O resultado é expresso aqui, pelo quarto ano consecutivo, na escolha das 100 garrafas que marcaram o ano.

Os critérios da seleção são simples: vinhos provados este ano (com preferência para as novidades), oferecidos no mercado nacional e que se destacaram dentro de suas categorias de preço, tipo (tinto, branco etc) e estilo (características, região, safra etc). O objetivo é oferecer um panorama, proporcionando ao leitor opções de compra para todos os gostos, bolsos e ocasiões. É importante frisar que não são "os melhores vinhos do mundo", pois este tipo de lista se repetiria, com poucas variações, ano após ano, com nomes que dispensam apresentações e requerem alto saldo bancário.

Em linhas gerais, a Argentina foi a grande vencedora de 2004, aumentando em mais de 800% a quantidade de garrafas enviadas ao Brasil. Pelo câmbio, impostos e, também, pela crescente qualidade que oferecem, os rótulos argentinos são bom negócio. Portugal foi o país que mais e melhor trabalhou seus produtos, mostrando ótimos lançamentos, aproximando-se dos consumidores e, mesmo com as dificuldades impostas pelo euro valorizado, saiu-se bem. A França, ofereceu poucas novidades, dependendo de iniciativas isoladas de seus representantes e do prestígio dos grandes vinhos, distantes da maioria dos mortais. Os rosados ensaiaram tornar-se populares, mas são poucas as opções a preços razoáveis.

Algumas das ótimas garrafas abertas este ano, infelizmente não estão presentes no mercado brasileiro, mas não podem deixar de ser mencionadas. É o caso da Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2000, sério candidato a melhor vinho do Alentejo, que faz par com o Batuta 2000, que pleiteia posto semelhante entre os vinhos do Douro. Há o consolo dos que vão chegar ano que vem, como o Cheval des Andes, um dos maiores vinhos da Argentina. Outros de lá que merecem a espera com uma taça na mão são o Iscay 2002 (Trapiche), Yacochuya 2002 (San Pedro de Yacochuya) e o Primus Malbec 2004 (Salentein). Ansiosa também deve ser a espera pelos Barolos da safra de 2000 (em especial pelo Cerequio de Michele Chiarlo).

Vamos aos selecionados:

Até R$ 50

A mendocina Finca Sophenia oferece tintos e brancos muito bons, a preços convidativos. O Malbec 2003 é um bom exemplo. O espumante brasileiro Cave Geisse Nature, muito seco, merece aplausos. Para quem busca um tinto elegante, o espanhol Dehesa Gago, de Telmo Rodriguez é a escolha. Nos brancos, o neozelandês Porcupine Ridge Sauvignon Blanc oferece o perfume e frescor, pedindo poucos reais em troca. Nos rosados, quem diria, um argentino, feito pela respeitada Susana Balbo, o Rosé de Malbec agrada sempre. O Talento da Salton e o Quinta do Seival da Miolo tem qualidade e poderiam estar aqui, não fosse o preço. Custam, respectivamente, R$ 45 e R$ 65, faixa na qual perdem para muitos importados.

De R$ 50,01 até R$ 100

Nos brancos, Portugal demonstra melhora a cada dia. Ao provar o Baron de B Branco 2002, tem-se a certeza de que a casta Antão Vaz ainda será muito conhecida em todo o mundo. Um Borgonha, que não envergonha este nome, por menos de R$ 60? "Les Vignes Rouges" 1997 de Antonin Rodet. Nos tintos, embora o San Pedro de Yacochuya não seja mais novidade, a nova safra, de 2002, leva ainda mais longe seu estilo de "blockbuster", com 16,2% de álcool... ame-o ou deixe-o. Outro tinto potente é o De Martino Single Vineyard Syrah 2003, que demonstra o grande potencial desta casta no Chile. Para tintos mais equilibrados, uma compra de valor é o Monte dos Cabaços 2001, delicioso. Outra opção nos tintos com estilo é o português Vila Santa 2003, que chega em breve, e de tão perfumado sente-se os aromas desde o Alentejo. Nas garrafas de sobremesa, a Áustria teve a oportunidade de apresentar no Encontro Mistral 2004, que não deixa nada a dever nessa categoria. Provem o Cuvée Beerenauslese de Alois Kracher e comprovem.

De R$ 100,01 a R$ 200

Esta é a categoria mais concorrida. Nos brancos, o chileno Sol de Sol 2003 é um Chardonnay barricado excelente, entre os melhores do continente, enquanto o australiano Lenswood Semillon 2000, vem de longe e merece ser guardado, pois poderá evoluir anos na garrafa. Nos tintos, os Malbecs A Crux 2002 e Linda Flor 2002 mostraram sua força e os portugueses Quinta da Leda 2000 (Douro), Herdade do Peso Aragonês 2000 (Alentejo), Quinta da Falorca Garrafeira 2000 (Dão), confirmaram que castas portuguesas imprimem personalidade única a seus vinhos. É bom lembrar que alguns grandes exemplares de safras mais antigas continuam disponíveis a preços ainda razoáveis, entre eles o Rioja Gran Reserva 904 1994 e o Amarone Bertani 1995.

De R$ 200,01 até R$ 350

Nesta categoria, já se fala de grandes vinhos. O toscano Camartina é um dos melhores da bota. O Champagne Gosset, da notável safra de 1996, faz a boca aguar, enquanto o novo rótulo da espanhola Vega Sicilia, o Pintia, feito em Toro, merece ser provado. Outro espanhol, o Casa Cisca, chama a atenção. De tão concentrado, deveria vir com uma tarja avisando paladares mais sensíveis.

Acima de R$ 350

Nesta faixa de preços há grandes rótulos: o Dom Pérignon 1996, Château d’Yquem 1995 ou o Cheval Blanc 1998, estupendos, de safras maravilhosas em suas regiões. Sem falar da elegância do Barbaresco Gaja 2000, que faz lembrar grandes borgonhas, ou do autêntico Echézeaux, da Domaine Dujac.

CLIQUE AQUI e confira os 100 rótulos que marcaram 2004

Por Marcelo Copello

Gazeta Mercantil 23/12/2004
http://www.mardevinho.com.br

 

 
     
     
 
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  2004 | Morphe